
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,4%. O aumento de 0,5 ponto percentual é um das maiores no relatório publicado na manhã desta quarta-feira (8).
Segundo os economistas do fundo, a revisão decorre da forte safra agrícola, que impulsionou as exportações e a atividade no primeiro trimestre, do fato de o Brasil ser um exportador de petróleo em meio à demanda global pela commodity, da política fiscal e do fortalecimento do consumo privado.
Os dados foram apresentados pelo FMI no World Economic Outlook (WEO), que teve seus números atualizados desde a versão anterior (de abril) com uma leve desaceleração nas projeções para a economia mundial devido aos conflitos no Oriente Médio, de 3,1% para 3% em 2026.
Dentre as economias selecionadas pelo FMI, o crescimento na projeção para o Brasil só não superou Irã e Coreia do Sul – ambos com elevação de 0,7 ponto percentual. No caso do Irã, no entanto, o fundo ressalta que as projeções estão neste momento sujeitas a uma grande incerteza.
O tom geral do relatório do FMI é que a economia global enfrenta forças em direções opostas. De um lado, a guerra no Irã elevou os preços da energia, pressionou a inflação e reduziu o ritmo de expansão da atividade no mundo.
A instituição projeta que os preços do petróleo subirão 32% em 2026 em relação ao ano anterior, enquanto o gás natural avançará 22%, contribuindo para elevar a inflação global para 4,7%.
Há diferenças significativas, no entanto, dos preços conforme a região. Desde o início da guerra, os preços da gasolina ao consumidor subiram 30% na Ásia emergente e apenas 15% na América Latina.
Do lado positivo, o avanço acelerado da inteligência artificial e da indústria de semicondutores tem sustentado o crescimento de países inseridos nessas cadeias produtivas.
Como resultado, países conectados ao ecossistema de alta tecnologia (como Coreia do Sul, Taiwan e China) ou exportadores de energia fora da zona de conflito (como o Brasil) exibem resiliência. Em contrapartida, nações de baixa renda e importadoras de commodities que estão fora do ciclo da IA sofrem com o encarecimento de itens básicos.
Neste mês, o Ministério da Fazenda também vai rever suas projeções macroeconômicas. A secretária de Política Econômica, Débora Freire, afirmou ao JOTA neste mês que a tendência é a previsão oficial para o PIB — atualmente em 2,3% — ficar estável.
Para 2027, o FMI elevou a estimativa para o PIB do Brasil, de 2% para 2,2% — prevendo, portanto, uma desaceleração em relação a 2026 — , e também a do PIB global, de 3,2% para 3,4%.
América Latina
Para a América Latina e o Caribe, o FMI manteve uma perspectiva relativamente estável. A região deve crescer 2,4% em 2026 e 2,7% em 2027, beneficiada pela menor exposição ao choque energético em comparação com outras economias emergentes.
Além do Brasil, o Fundo destacou a continuidade da recuperação da Argentina. A projeção para o país foi mantida em 3,5% em 2026 e 4,0% em 2027. Segundo o FMI, a atividade econômica ganhou força no primeiro trimestre e deve acelerar ao longo do restante do ano, impulsionada pelas exportações do setor primário, pela retomada dos investimentos e pela recuperação da construção civil. A instituição também espera continuidade do processo de desinflação.
Já para o México, o Fundo reduziu as projeções de crescimento para 1,2% em 2026 e 1,9% em 2027. A revisão reflete um primeiro trimestre mais fraco do que o esperado e a perspectiva de um processo mais prolongado de revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA).
Para o FMI, o principal desafio para os governos continua sendo reconstruir o espaço fiscal, preservar a estabilidade macroeconômica e acelerar investimentos em segurança energética e infraestrutura digital, de forma a aproveitar os ganhos de produtividade associados à inteligência artificial sem ampliar as desigualdades entre países.
Veja a tabela com as projeções:
