
Lançada nas redes sociais pelo Partido dos Trabalhadores, a campanha batizada de “O Brasil Não Se Entrega” sintetiza a estratégia que deve orientar a tentativa de reeleição do presidente Lula, com foco na soberania nacional e na defesa do Pix, dos empregos, da indústria nacional e do “direito de o povo decidir o próprio destino”.
A mobilização começou nesta quarta-feira (22/7), no mesmo dia em que entraram em vigor as novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. A iniciativa antecipa a narrativa que deverá ocupar o centro da campanha lulista.
A campanha será veiculada, nos próximos dias, nas redes sociais do PT e mobilizará parlamentares, dirigentes e apoiadores em um discurso centrado na autonomia do Brasil. Nos materiais divulgados, o partido apresenta a soberania como um conceito diretamente ligado ao cotidiano dos brasileiros.
O JOTA apurou que o partido considera, com base em pesquisas internas, que o PIX, as terras raras e o medo de perder os empregos por causa das tarifas impostas por Trump podem ser catalisadores de novos votos. Por isso, o tema estará constantemente presente na pré-campanha de Lula.
O PT afirma na campanha que defender o país significa proteger empregos, preservar empresas nacionais, garantir o crescimento econômico e impedir interferências estrangeiras em ativos considerados estratégicos. O material coloca o presidente Lula como principal liderança na defesa dos interesses nacionais e na na condução de uma agenda voltada ao fortalecimento da economia e da soberania brasileira.
Os principais símbolos escolhidos pela legenda para isso são o PIX, apresentado como uma conquista tecnológica brasileira; as terras raras, tratadas como patrimônio estratégico para o desenvolvimento industrial; e a proteção da produção nacional diante das novas barreiras comerciais impostas pelos EUA.
Brasil soberano
A defesa da soberania vem sendo um slogan do governo Lula desde agosto do ano passado, quando os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% a produtos brasileiros e deu nome ao plano de contingência apresentado pelo petista para mitigar os efeitos do tarifaço na economia brasileira. Na segunda-feira (20/7), durante convenção nacional do PDT, em Brasília, o presidente disse que a defesa da soberania e a democracia serão os temas que irão “marcar” a campanha de 2026. O evento marcou o início de sua agenda pública de pré-campanha.
Ao longo do discurso, Lula afirmou que o Brasil deve tomar suas próprias decisões e rejeitou qualquer interferência externa: “Aqui nós erramos por nós, nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que nós vamos fazer. Aqui nós decidimos o que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania”.
Sem citar nomes, Lula se referiu ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, seu principal oponente neste pleito, como “traidores da Pátria”.
“Nesse país antigamente, traidor era enforcado. Porque trair a pátria é uma coisa muito grave. E hoje nós temos não um, nós temos vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para os Estados Unidos impor punição ao Brasil”, afirmou.
A mesma linha aparece no manifesto divulgado pelo PT nesta terça-feira. O partido atribui o agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos à atuação da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirma que interesses políticos foram colocados acima dos interesses nacionais.
Outro eixo da campanha se concentra nos impactos econômicos do tarifaço. O PT explora o risco de perda de empregos e de enfraquecimento da indústria brasileira provocado pelas novas tarifas americanas. Nas peças de divulgação, o partido afirma que defender a economia nacional significa preservar postos de trabalho, fortalecer empresas brasileiras e garantir oportunidades para quem produz no país.
As terras raras e outros minerais estratégicos também integram a narrativa. O partido defende que esses recursos devem permanecer a serviço do desenvolvimento nacional, da inovação tecnológica e da geração de empregos. Nos materiais da campanha, eles são apresentados como patrimônio estratégico do país e inseridos no mesmo discurso que reúne soberania, política industrial, tecnologia e autonomia econômica.
