Em carta golpista, Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito dos Estados Unidos do Brazil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula nas urnas com quase 5 milhões de votos de diferença no último domingo (25/10),…



O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula nas urnas com quase 5 milhões de votos de diferença no último domingo (25/10), se declarou presidente eleito dos Estados Unidos do Brazil nesta quarta-feira (28/10).

Em carta divulgada nesta tarde na rede social X, ele diz que é o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e promete liderar a oposição ao governo Lula do Estados Unidos. Ele também não assina a carta como senador.

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A versão inicial documento, divulgada pelo aliado Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, utilizou o brasão histórico dos Estados Unidos do Brazil. Em 1931, o nome do país passou a ser definitivamente grafado com s e não mais com z, e em 1967 o país deixou de ser oficialmente Estados Unidos do Brasil. Posteriormente, Figueiredo divulgou uma nova versão com o brasão corrigido, a mesma utilizada por Flávio Bolsonaro.

Em uma terceira versão do texto, o teor golpista foi diluído com a alteração do termo “presidente eleito” para “líder  do Brasil”.

No discurso, o parlamentar contesta o resultados das urnas, acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política e diz que o Brasil vive um “regime de exceção”. Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF por lavagem de dinheiro.

O JOTA revelou em julho que o ministro André Mendonça, do STF, havia autorizado a investigação de Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal após a revelação, em maio, de que o senador recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiamento do filme Dark Horse. Nesta investigação, a PF investiga se houve prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e “outros delitos correlatos” na produção do filme Dark Horse, que foi financiado com recursos do Banco Master.

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Já no segundo inquérito, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, são apuradas suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio, o advogado Willer Tomaz, entre outros nomes do PL, como o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem.

O caso estava na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul e chegou ao STF após a PF quebrar o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrar e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. Foi nesta investigação que Moraes determinou a entrega e o cancelamento dos passaportes de Flávio Bolsonaro.

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“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime”, escreveu o candidato derrotado à Presidência da República, um dia depois de fugir do país.

Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar todos os passaportes, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF.  Ele foi intimado pela PF depois de visitar o pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro descumpriu a determinação e teve os passaportes brasileiros cancelados. Moraes tomou a decisão no inquérito em que o filho de Bolsonaro é investigado ao lado do amigo Willer Tomaz.

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Flávio Bolsonaro chegou a Miami nesta quarta-feira (28/10), acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguir em um avião particular, com escala no Equador. Na véspera da viagem, Flávio havia afirmado que nunca pretendeu deixar o país.

O senador agradeceu os presidente da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, e aos norte-americanos. Ao elogiar Trump, afirmou que ele é um defensor da liberdade de expressão. Também elogia o “maravilhoso povo americano” por o acolher.

Flávio Bolsonaro contesta, sem nenhuma prova, resultado das urnas

O senador acusa a Justiça Eleitoral de permitir uma fraude na votação do segundo turno e questionou a extensão do horário de votação em municípios afetados por problemas no transporte público. Segundo ele, a medida teria submetido eleitores a regras diferentes. O próprio Flávio Bolsonaro também pediu a extensão do horário das eleições.

“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, afirma. Flávio critica a decisão do ministro Cristiano Zanin que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em locais onde eleitores enfrentam dificuldades de deslocamento por problemas no transporte público. Zanin atendeu a um pedido do PT relacionado a denúncias de descumprimento da oferta de transporte gratuito no dia da eleição em várias regiões do país.

“A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, diz o senador em referência à atuação de Zanin na defesa do presidente Lula nos processos da Operação Lava Jato antes de sua indicação ao Supremo.

Além de Flávio Bolsonaro ter ele próprio pedido a extensão da votação ao TSE, os votos adicionais depois das 17h não fizeram nenhuma diferença no resultado: foram registrados apenas 34 mil sufrágios no período da extensão.

Flávio ainda atribui à campanha de Lula supostos abusos de poder político e econômico e uso da máquina pública. Sem especificar quais, o senador diz que irregularidades justificariam a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

“Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin”, afirma.

Senador se compara a Rui Barbosa e Juan Guaidó

Flávio se comparou sua situação à de lideranças políticas que atuaram fora do país em oposição a governos que consideravam autoritários. Ele citou os brasileiros Rui Barbosa e Floriano Peixoto, o francês Charles De Gaulle e cubano José Martí. Também mencionou os opositores ao regime de Nicolás Maduro, os venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, a quem chamou de “símbolo mundial da resistência democrática”.

“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”, disse.



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