
A convenção do PT que lançou a segunda candidatura de Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes deixou claro que a estratégia do partido em São Paulo seguirá a velha premissa de que a melhor defesa é o ataque: criticar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o bolsonarismo. Essa foi a tônica do evento realizado neste sábado (24/4) em Campinas, no interior do estado.
Com os ataques a Tarcísio, afilhado político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e à gestão dele à frente do estado, o PT e seus aliados esperam, nessa ordem de importância, vencer Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo e eleger Haddad governador. Para isso, insistiram em “colar” as duas candidaturas em uma só. O objetivo central é reeleger Lula ainda no primeiro turno e levar a disputa estadual para o segundo turno.
Quem explicitou essa estratégia foi Márcio França (PSB), candidato a vice de Haddad. Segundo ele, se Haddad, hoje atrás de Tarcísio nas pesquisas, conseguir um bom desempenho no primeiro turno e evitar que a eleição estadual seja decidida já na primeira fase, Lula terá grandes chances de vencer Flávio Bolsonaro ou qualquer outro presidenciável de oposição ainda no primeiro turno.
Conforme as mais recentes pesquisas, Lula lidera todos os cenários de primeiro turno. Nos bastidores, o PT avalia que uma votação expressiva do presidente em São Paulo ou até mesmo uma vitória no estado, algo que não acontece desde 2002, poderá ser suficiente, se somada a um provável bom resultado no Nordeste, para liquidar a fatura sem a necessidade de um segundo turno.
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O JOTA apurou que o comando das campanhas petistas, nacional e estadual, tem avaliado como muito favorável para Lula o cenário em São Paulo até agora. Em privado, dirigentes e estrategistas da centro-esquerda não acreditam que Flávio Bolsonaro conseguirá repetir o desempenho de seu pai, Jair Bolsonaro, que venceu em 2018 e 2022 no estado.
Um dos motivos para o otimismo é a desconfiança de que o governador, nome lembrado para concorrer ao Planalto em 2030, não trabalhará com afinco para ajudar Flávio no estado. “O Tarcísio é traíra. Está escondendo o Flávio. Nenhuma pessoa do interior [de São Paulo] aceita trairagem”, disse Márcio França.
São Paulo para os paulistas
Para que esse cenário se concretize, no entanto, Haddad enfrentará um enorme desafio. Com apenas duas candidaturas fortes até agora, a dele próprio e a de Tarcísio à reeleição, o ex-ministro da Fazenda de Lula terá, sobretudo, de ampliar apoios e conquistar votos no interior do estado, mais conservador que a região metropolitana da capital. Por esse motivo, a convenção foi realizada em Campinas e contou com a participação de Lula.
De acordo com Haddad, São Paulo precisa ser “devolvida aos paulistas”, referindo-se ao fato de Tarcísio ter nascido no Rio de Janeiro e construído sua carreira pública em Brasília. O ex-ministro afirmou que entrou na disputa para vencer. “Estou aqui porque conto com vocês para ganhar essa eleição”, disse.
Todos os discursos da convenção seguiram a linha de criticar Tarcísio e ligá-lo à família Bolsonaro. “As privatizações feitas a toque de caixa, tanto a Sabesp (a companhia de abastecimento) quanto o Metrô; CPTM entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade. E a água está faltando na torneira, quando chega, chega suja, e a conta d’água subindo todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu”, afirmou Haddad em discurso.
A chapa de Haddad terá as ex-ministras Marina Silva (Rede-PSOL) e Simone Tebet (PSB) como candidatas ao Senado. Ambas defenderam a reeleição de Lula como sendo vital para manutenção do ambiente democrático no país e a defesa das mulheres. Segundo elas, o aumento dos casos feminicídio em São Paulo indicam as deficiências do governo Tarcísio na área da segurança.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) conclui seu discurso afirmando que Tarcísio representa “o bolsonarismo envergonhado” e os eleitores de São Paulo querem o “bolsonarismo derrotado”. Ele também criticou a privatização da Sabesp, conduzida pelo atual governador.
Último a discursar, o presidente Lula deu um tom nacionalista ao evento. “Este país é nosso e aqui ninguém mete o bedelho”, disse, em referência ao presidente americano, Donald Trump, aliado da família Bolsonaro do Brasil.
Lula também aproveitou a participação para pedir aos militantes petistas presentes ao Clube Concórdia que fiscalizem a utilização dos recursos de IA (inteligência artificial). “A base da campanha deles é a mentira”, disse o presidente.
